As decepções do começo de ano

Entre muitas alegrias e conquistas que vêm acontecendo nesses primeiros passos do ano de 2012, dois fatos marcaram negativamente o meu início de ano.

Primeiramente, uma senhora que defendi após ser nomeado pela Defensoria Pública, me deu o primeiro duro golpe do ano.

Após longos anos de espera, minha “cliente” estava próxima de receber o seu tão esperado dinheiro oriundo de uma ação judicial da qual saiu vitoriosa.

Certo dia, liguei com a tão esperada notícia, que foi recebida com a maior frieza do mundo. Passado o susto pela reação inusitada, levei a senhora até o Fórum, para que retirasse a guia de depósito e levantasse o dinheiro no banco, que serviria, com sobra, para comprar a tão sonhada casa própria, melhorando, sobremaneira, a qualidade de vida da minha cliente, que além de deixar de pagar aluguel, poderia morar em residência bem melhor que a atual.

Após levantar o dinheiro, com o depósito efetuado em sua conta corrente, a senhora olha bem nos meus olhos e diz: “então estamos certos, né? Não tenho mais nada com o senhor.” Naquele momento, me senti o pior dos seres humanos, não pelo fato de ter recebido tão pouco da Defensoria para atuar naquele processo, mas sim por esperar um agradecimento com mais emoção, já que passei a notícia com muita felicidade, principalmente por saber que estava ajudando uma pessoa muito simples.

Passado o primeiro baque, recebi uma ligação de um colega de faculdade, que não atua na advocacia, pedindo que eu patrocinasse uma causa dele. Prontamente me coloquei à disposição e pedi para que ele me enviasse um email relatando o caso, bem como com as cópias de determinados documentos para que eu pudesse fazer uma análise preliminar do assunto e, posteriormente, marcaria uma hora em meu escritório.

Assim feito, respondi me colocando à disposição para marcar um horário. Ocorre que ele não me retornou mais, nem me atendeu. Só me restou seguir minha vida.

Ocorre que, passados alguns dias, ele me enviou um e-mail bem formal, com um português rebuscado, totalmente desnecessário, tendo em vista a nossa amizade, dispensando os meus serviços, tendo em vista que ele procurou o Ministério Público e foi encaminhado para uma faculdade, onde a Assistência Jurídica prestaria os serviços gratuitamente.

Achei muito estranho, tanto que nem respondi o e-mail. Fiquei chateado pela forma inexplicável que o e-mail foi enviado.

Hoje eu recebi outro e-mail desse colega, pedindo para marcar um horário comigo, pois ele não passou na triagem da assistência jurídica da faculdade tendo em vista a renda que aufere.

Pelo menos, algumas notícias ruins são procedidas por uma muito boa!

6 respostas para As decepções do começo de ano

  1. Como vai Dr. Junior, tudo bem? Sou iniciante da carreira jurídica, e o começo como em todos os ramos não é fácil. Inicio esse ano com expectativas e com novos critérios pra atuar na carreira advocatícia. Estou com minha OAB desde outubro, e o que tem de pessoas que me procuram para pedir orientações e até mesmo possibilidades de ingressar em juízo com demandas, só ficam na conversa inicial ou procuram outros advogado. Talvez pensem que por eu ser “novo”, não teria condições suficientes para amparar alguém que precisa de socorro jurídico. Agora antes de qualquer conversa contrato assinado e pelo menos a consulta deverá ser paga. Eu acompanho seus relatos e to vendo o que tenho pela frente. Felicidades.

  2. SAM disse:

    Ah, meu amigo. Sei exatamente como é isso.
    =/

  3. Rapha disse:

    Bom dia nobres colegas !
    Primeiramente, quero parabenizar o Dr. Junior pelo excelente canal de comunicação. Acredito que mais blogs como este sejam necessários, dentre outras coisas, como uma troca de experiências entre nós, jovens advogados ou não.
    Comentando o post, situações como estas servem para que cresçamos como pessoas e profissionalmente também.
    Como o Dr. Cirineu bem colocou, em outras palavras, temos que valorizar os nossos serviços. Sabemos que não é fácil diante há grande concorrência que temos hoje em dia, mas como jovens operadores do direito temos que maximizar nossa profissão, acreditar no nosso potencial e, passar toda esta credibilidade para nossos futuros clientes.
    Assim, com certeza, laborando com amor à profissão que escolhemos e, fazendo o nosso trabalho da melhor forma possível, seremos reconhecidos e lembrados, sempre.
    Forte abs.,
    Avanti !

  4. Obrigado pelas considerações, nobres colegas Cirineu, Sam e Rapha. Espero que continuem visitando o blog e fazendo sugestões de pauta para o blog.
    Incentivo os colegas também a criarem blogs para que possamos difundir o pensamento dos jovens advogados na blogosfera jurídica!
    Penso em escrever algo, futuramente, sobre a tabela de honorários da OAB. Não vai faltar assunto e comentário!
    um abraço e tenham uma excelente semana!

  5. Eduardo Felipe disse:

    Olá. Não sou advogado, mas acompanho o blog há poucos meses. Vou iniciar o curso de Direito este ano, sou formado em Sistemas de Informação. Quero parabenizar pelo blog, um ótima ferramente para jovens como eu conhecer um pouco mais da área, situações e notícias relacionados.

  6. Nayara disse:

    Sou advogada formada há tres anos e as decepcões com a carreira advocatícia só tem aumentado. Colegas desonestos e juizes que abusam da autoridade. Aqui na justiça do trabalho de Belo Horizonte, estamos em um campo minado, onde o juiz nos considera como locupletadores ilícitos e nos faltam com respeito. Admiro o indivíduo que conseguiu a aprovação em concurso público, porém isso não significa que possa menosprezar as outras pessoas. A OAB aqui em BH sabe como vários juizes do trabalho se portam nas audiências, mas nada fazem para nos proteger. Hoje, fui humilhada em audiência e o meu cliente foi pressionado a renunciar o direito. Eu nada podia fazer, visto que o juiz ameaçou o meu cliente, dizendo que iria oficiá-lo a polícia caso prosseguisse com a ação. Como a ação era de pequena monta, ele mesmo dizendo a verdade preferiu renunciar ao direito que lhe era garantido por lei. Na verdade, a justiça comete muita injustiça, pois algumas vezes os juizes prejulgam antes mesmo de instruir o processo devidamente. Estou cansada, com vontade de me afastar da advocacia. Porém, não tenho conhecimento em outras áreas para mudar de ramo. Estou me sentido perdida e não sei o que fazer.

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